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Goiás PANDEMIA

MPF-GO recomenda a 117 cidades o uso de cloroquina em pacientes mesmo após estudos apontarem ineficácia do remédio para Covid

Nota técnica, assinada por quatro profissionais de saúde, defende a utilização do medicamento na fase inicial da doença. Porém, publicações internacionais alertam sobre os riscos do uso do remédio em pacientes com coronavírus.

08/03/2021 16h55 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação Fonte: Por Millena Barbosa / G1 GO
Arquivo: imagem de um comprimido de cloroquina — Foto: Reprodução/TV Globo
Arquivo: imagem de um comprimido de cloroquina — Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) enviou a 117 municípios goianos e ao governo estadual um ofício que recomenda o uso de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. O documento tem como base uma nota técnica escrita por quatro profissionais da saúde.

Em contrapartida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz, na última segunda-feira (1º), na qual pede fortemente que a cloroquina não seja usada como tratamento preventivo da Covid-19. O documento foi divulgado na revista científica "The BMJ". A recomendação é feita por um painel de especialistas internacionais do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS (GDG).

Assinada pelo procurador da República Ailton Benedito, a nota técnica do MPF-GO tem 117 páginas e foi publicada na terça-feira (2). O documento é embasado em relatório assinado pelos médicos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves, pela biomédica Rute Alves Pereira e Costa e pelo psicólogo Bruno Campello de Souza. Nele, os especialistas defendem que o tratamento utilizando o medicamento pode reduzir a "duração de sintomas, os dias de internação e a mortalidade de pessoas infectadas com o vírus":

“Os ensaios clínicos em humanos de hidroxicloroquina ainda têm dificuldade em estabelecer em definitivo sua utilidade como tratamento para Covid-19. Porém, já existem diversos estudos mostrando evidência de benefício em diversos graus, o que não significa comprovação de eficácia. Porém, está muito longe de significar ausência de evidência científica”.

Para defender a recomendação do tratamento precoce, o documento traz ainda estudos estudos que relacionaram como opção terapêutica a utilização não só da hidroxicloroquina, mas da azitromicina, invermectina, nitazonaxida, além de suplementos de zinco e vitaminas C e D no tratamento de pacientes com Covid-19.

O procurador da República encaminhou a recomendação a a órgãos e instituições que têm alguma responsabilidade no enfrentamento à pandemia.

"Em geral, no momento de se fazer recomendações terapêuticas, há uma tendência natural a se favorecer a inclusão de estudos formalmente publicados em periódicos médicos que utilizem processo de revisão por pares. No entanto, tem se tornado cada vez mais comum os estudos preprints, que são manuscritos depositados em servidores web que comunicam resultados de pesquisa com acesso aberto", diz trecho do documento.

O G1 entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES), por e-mail, às 11h18 desta quinta-feira (4), e aguarda um posicionamento sobre o assunto.

Questionado sobre a recomendação feita pelo MPF-GO, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse, na manhã desta quinta-feira, que não irá se posicionar sobre o assunto.

MPF-GO envia ofício a cidades goianas recomendando uso de tratamento precoce em pacientes com Covid-19 — Foto: Reprodução/MPF-GO

Estudos indicam ineficácia

Em outubro de 2020, um estudo liderado pela OMS em mais de 30 países já havia afirmado a ineficácia de quatro antivirais contra a Covid-19, entre eles a hidroxicloroquina. Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, também já havia apontado, em setembro, que o medicamento não previne a infecção pelo novo coronavírus.

Segundo diversos estudos rigorosos realizados ao redor do mundo, medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, ofertados nas fases iniciais da doença no Brasil, já se mostraram inclusive ineficazes ou até mais prejudiciais do que benéficos quando administrados nos quadros leves, moderados e graves de Covid-19.

Em nota enviada ao G1, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirmou que, desde o início da pandemia, fez diversos posicionamentos sobre tratamento precoce. No último comunicado, publicado no dia 19 de janeiro, a instituição afirmou que evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no “tratamento precoce” da Covid-19 até o presente momento.

“Pesquisas clínicas com medicações antigas indicadas para outras doenças e novos medicamentos estão em pesquisa. Atualmente, as principais sociedades médicas e organismos internacionais de saúde pública não recomendam o tratamento preventivo ou precoce com medicamentos, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), entidade reguladora vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil”.

 

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