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Justiça PARAGUAI-VIOLÊNCIA

Polícia investiga se atentado com 4 mortes na fronteira com Paraguai foi acerto do PCC

Na noite de domingo, a polícia encontrou um carro incinerado que pode ter sido usado no crime

12/10/2021 22h46
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Por: Redação Fonte: Folhapress
Foto:Getty- imagem de arquivo
Foto:Getty- imagem de arquivo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia paraguaia suspeita que o atentado que matou quatro pessoas na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na fronteira com o Brasil, seja um acerto de contas do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em meio a uma escalada de crimes naquela região, o atentado aconteceu na madrugada de sábado (10) em frente a uma boate. Os atiradores chegaram em uma caminhonete e efetuaram mais de cem disparos -seis suspeitos acabaram presos.

Imagens mostram o momento em que houve o crime. As vítimas abrem as portas de um carro e, quando entram no veículo, são surpreendidas por criminosos com tiros de fuzil.

A suspeita é de que os assassinos tivessem como alvo Osmar Vicente Álvarez Grance, 32, conhecido como Bebeto, que também foi morto. Três mulheres foram mortas também: Hayllee Carolina Acevedo Yunis, filha do governador do estado paraguaio de Amambay, e as brasileiras Rhannya Jamilly Borges de Oliveira e Kalline Reinoso de Oliveira.

A polícia apura a suspeita de que Bebeto teria sido morto devido ao suposto envolvimento na prisão de 14 criminosos do PCC em uma lavanderia no dia 23 de março. Os membros da facção, por essa versão, suspeitariam que o homem possa ter dado informações à polícia que resultaram na operação.

Também são apurados relatos de que a vítima do atentado se portava de modo que desagradava os criminosos e teria dívidas.

No entanto, as mortes das três jovens que acompanhavam Bebeto teriam gerado indignação em outros grupos criminosos, que ameaçam agir em represália à situação. Elas são estudantes de medicina e não teriam relação com o motivo do crime.

Uma carta enviada por supostos criminosos de outras organizações citou suspeitas de que Bebeto se passaria por pessoa poderosa e que as três jovens foram mortas injustamente apenas por estarem em sua companhia.

Essa mesma carta de organizações justiceiras cobrou a prisão dos assassinos em 48 horas, caso contrário, um grupo de 3.000 homens, integrantes dessas organizações, iria agir.

Na noite de domingo, a polícia encontrou um carro incinerado que pode ter sido usado no crime. No dia seguinte, foi feita a prisão de seis suspeitos.

Segundo os dados divulgados, são seis brasileiros: Hywulysson Foresto, Juares Alvers da Silva, Luis Fernando Armani Silva e Simões, Gabriel Veiga de Souza, Farley José Cisto da Silva Leite Carrijo e Douglas Ribeiro Gomes.

Os homens foram presos em uma casa no bairro de Cerro Cora'i, em Pedro Juan Caballero. No local, também foram apreendidos três veículos, documentos de carros, celulares, joias e substância parecida com maconha.

Eles deveriam ser transferidos para Assunção.

As mortes se somam a outras que vêm sendo registradas na região. No final de setembro, por exemplo, o corpo de um brasileiro decapitado foi encontrado em Pedro Juan Caballero, a apenas cinco quilômetros da fronteira com Mato Grosso do Sul.

Neste final de semana, o primeiro assassinato ocorreu no lado brasileiro da fronteira, em Ponta Porã, na tarde de sexta-feira. A vítima foi o vereador local Farid Afif (DEM), 37, assassinado a tiros de pistola enquanto andava de bicicleta. Conforme a Polícia Civil, o autor dos disparos estava em uma moto.

Horas antes do crime, o vereador, que estava em seu segundo mandato e foi o nono mais votado entre os 17 eleitos em 2020, com 964 votos, publicou um vídeo em suas redes sociais em que aparece com a bicicleta.

Na gravação, Afif relatou que estava em deslocamento para acompanhar atendimentos prestados à população da cidade de Mato Grosso do Sul.

A fronteira do Brasil com o Paraguai vive sob forte instabilidade, com confrontos do PCC com outros grupos criminosos, alguns dos quais se denominam justiceiros.

Em 2016, o PCC tomou o controle daquela região com o assassinato do antigo "rei da fronteira", Jorge Rafaat. Com isso a facção tem acesso a um corredor de exportação para escoar a droga vinda de países vizinhos.

Com isso, se acirrou a disputa entre o PCC e o Comando Vermelho pelo tráfico de drogas.

Em 2019, o homem considerado como novo chefe do PCC na fronteira, Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro foi preso pela Polícia Federal (PF), em Balneário Camboriú (SC).

PCC E O PARAGUAI

Agosto de 2016 - O traficante Jorge Rafaat Toumani, 56, é morto a tiros, no centro de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia onde morava, em execução planejada pelo PCC. Um traficante que abastecia o PCC e Comando Vermelho, Jarvis Chimenes Pavão, tomou o controle da região

Abril de 2017 - Criminosos invadiram a sede da transportadora de valores Prosegur em Ciudad del Este, próxima à fronteira com o Brasil, e roubaram cerca de US$ 40 milhões. Crime foi atribuído ao PCC

Dezembro de 2017 - O narcotraficante brasileiro Jarvis Chimenes Pavão, 49, foi extraditado do Paraguai para cumprir pena de 17 e nove meses no Brasil

Julho de 2018 - O brasileiro Eduardo Aparecido de Almeida, 39, considerado o chefe regional do PCC, no Paraguai e Bolívia, é preso em Assunção, capital paraguaia

Novembro de 2018 - O Paraguai expulsa do país o traficante Marcelo Piloto, apontado como um dos líderes do CV, e o também traficante Rovilho Alekis Barboza, conhecido como Bilão, e integrante da facção criminosa PCC

Fevereiro de 2019 - Considerado pelas autoridades policiais como o chefe do PCC na fronteira do Brasil com o Paraguai, Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro é preso pela Polícia Federal em Balneário Camboriú (SC)

Abril de 2019 - A Polícia Federal apreendeu cerca de meia tonelada de cocaína no momento em que um helicóptero, que transportava a droga, havia pousado para reabastecer na zona rural de Presidente Prudente (558 km de SP). A organização criminosa que usava o helicóptero buscava a droga no Paraguai

Dezembro de 2019 - Sob o argumento de que há "níveis críticos de violência" e ações da facção criminosa PCC na região, o Ministério Público Federal decidiu fechar o seu prédio em Ponta Porã (MS), na fronteira do Brasil com o Paraguai, e transferir suas atividades para a cidade de Dourados (MS), a 120 km de distância​

Janeiro de 2020 - Setenta e cinco presos, a maioria membros do PCC fugiram de uma prisão em Pedro Juan Caballero, no Paraguai

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